segunda-feira, 11 de março de 2019

Moisés Bácoro


Já por várias vezes consultei o livro da Maria José Pimenta Ferro Tavares, Os judeus em Portugal no século XV. Desta vez optei por folhear o segundo volume com mais atenção. Este volume é constituído apenas pelo Levantamento Populacional dos judeus existentes em Portugal no século XV.
Foi assim que me deparei com Moisés Bácoro, ferreiro, morador em Alcáçovas em 1442.
Que os alentejanos são pródigos em arranjar alcunhas, já sabia. Pelo visto, é uma tradição muito mais antiga do que imaginava! 





segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Aviso com spoiler alert incluído



" - (...) Estava a pesquisar a minha linhagem, à procura de antepassados com os quais tivesse algo em comum. Tenho ligações distantes com a família da minha vítima. Quando temos tempo suficiente para dedicar aos nossos hobbies, conseguimos alcançar progressos notáveis. Quando já não tinha mais nomes a procurar ,comecei a pesquisar pessoas que conhecia, e um dia pesquisei a família de Ari. Quando Jakob cá chegou e ouvi falar sobre o caso, reconheci o nome de uma das vítimas. Depois de voltar a consultar os meus registos, vi que (...)" (pág. 261) 
 
Quem assim fala, neste livro da Yrsa Sigurdardottir, é o sociopata de serviço à história. Um livro que recomendo e que gostei muito de ler, aliás como quase todos os da autora.
 
Tal como eu, este tipo perturbado, procurou os seus antepassados para encontrar alguém que tivesse alguma coisa em comum com ele. Não terá encontrado, imagino eu, pelo que fiquei a saber dele no decorrer da história. No meu caso, este não será o único motivo, também o faço porque é uma tarefa absorvente e de alguma forma repetitiva que me ajuda a acalmar. Seja como for, encontrei alguns antepassados com quem me identifiquei, no entanto, o que a genealogia fez por mim foi ajudar-me a relativizar a minha existência e as minhas tribulações. Humanizou-me, por assim dizer.
 
Achei graça, quando ele disse que na falta de mais nomes a pesquisar, começou a estudar a genealogia das pessoas que conhecia. E eu, aqui me confesso, faço isto recorrentemente. Ainda tenho muitos ramos e nomes a pesquisar, agora que cada vez mais arquivos estão a digitalizar os seus acervos e a disponibilizá-los na internet, mas não resisto a uma pesquisa paralela dos amigos e até dos inimigos...

Assim fica o aviso, se de alguma forma me conhecem, e antes de iniciarem qualquer pesquisa genealógica, digam qualquer coisa: o mais certo é já ter os dados que procuram...

 
Ah! E leiam o livro!


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Segundo encontro da Família Rianço




No dia 23 de Setembro teve lugar o segundo almoço dos Rianços que decorreu na Quinta da Cerca em Messejana.



Foi um dia muito bem passado cheio de gente bem disposta, num local muito bem escolhido.



Para além dos momentos de convívio houve ainda tempo para uma apresentação informática do programa que nos gere a todos, em termos genealógicos, respondendo àquela questão que fervilha sempre nestes encontros: quem é quem e de onde vem?



Para o ano há mais...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Porto Santo 2017

O Inverno está a chegar mas enquanto não chega aproveito o sol de Verão.
Cada ano que passa sinto o Inverno a querer ficar. Parece que o sol de cada Verão é cada vez mais insuficiente. Coisas da idade ou talvez seja a turista inglesa de meia idade que sempre existiu em mim, taking over,clamando por escaldões e bebedeiras ao fim da tarde...
Este ano para além do sol de todos os dias, foi o sol de Porto Santo que me aqueceu.
Em mais uma viagem, que mais não foi que um percurso calcorreado por parte do meu ADN em outras épocas, arrastei a todos.
Terra de Bartolomeu Perestrelo, meu antepassado e sogro de Cristóvão Colombo meu parente político, como diriam os meus avoengos espanhóis: é sempre uma emoção regressar.
Massacrei os miúdos e graúdos com locais e personagens, historietas e histórias das gentes das minhas Ilhas.
Diverti-me mais do que todos.
Para o ano que vem há mais.






quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A Casa Grande de Romarigães

Este livro de Aquilino Ribeiro lê-se como um folhetim ou vê-se como uma novela. Isto para quem gosta de novelas.
Com a diferença do narrador, que faz toda a diferença.
E a linguagem. Tantas palavras perdidas nos dias que correm.
Sem esquecer as relações familiares e os primos. Sempre os primos e os casamentos entre os primos. 
E toda aquela intrincada genealogia. A querida genealogia que tudo explica e tudo esconde.
Delicioso.
Adorei o livro.

Fica a recomendação do Plano Nacional de Leitura que explica desta forma enfadonha uma história hiper mega actual e divertida:

"Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Este romance reproduz a mundivivência das terras nortenhas e aproxima o texto ficcional da realidade narrada, numa Beira rural e analfabeta ancorada numa sociedade patriarcal. Misturando erudição com a linguagem popular, Aquilino capta esse ambiente arreigado na religiosidade e na crendice e revela o instinto camponês com todas as superstições e todos os subterfúgios associados à obsessão de propriedade."


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Abadia do Sacromonte de Granada

A Abadia do Sacromonte em Granada é um edifício enorme, repleto de história, localizado num sítio místico.
É também o local onde o meu antepassado Diogo Domingues Pablo declarou ter passado parte da sua vida. Diogo estudou nesta abadia durante seis anos no Colégio de Teólogos e Juristas, que foi inaugurado no dia 30 de Outubro de 1610, no seguimento das directrizes do Sagrado Concilio Tridentino que advogava a criação de centros de estudos que promovessem a formação de sacerdotes.




Ao tentar perceber melhor como o filho de um casal que residia em El Almendro, na zona de Huelva e como tal perto da fronteira com Portugal, sem vínculos conhecidos e com recursos económicos que presumo confortáveis, mas não notáveis, vai estudar, presumo eu,  no início de oitocentos para Granada, uma universidade tão distante e prestigiada, encontrei alguma documentação sobre este colégio e seminário diocesano.

Neste documento intitulado El colegio de teologos y juristas "San Dionisio Aeropagita del Sacro-Monte de Granada" (1752-1800) é feita uma breve abordagem histórica da instituição, desde a sua fundação até à sua conversão em centro de ensino superior a que se segue uma explanação do que seria a sua vertente pedagógica. 

À partida seriam duas as faculdades existentes nesta universidade, a Faculdade de Artes e Teologia e a Faculdade de Leis. Cada estudante ao entrar, escolheria uma ou outra. Analisando a duração e distribuição dos planos de estudo é curioso confirmar que aquilo que foi dito, no processo de habilitação do Diogo, é corroborado pelo documento agora consultado. Confirma-se que nesta faculdade o curso tem a duração de seis anos, divididos em dois grupos: os primeiros três são dedicados à Filosofia e os restantes à Sagrada Teologia.

É desde modo que fico a conhecer os critérios de admissão rigorosos que certificam, caso existissem dúvidas para o investigador actual, a pertença a uma elite dos estudantes em causa. Sabe-se que os candidatos inicialmente se teriam que submeter a um exame de acesso de Gramática Latina, e caso ficassem aprovados deveriam apresentar os comprovativos de limpeza de sangue, de legitimidade de nascimento, e de bons costumes. Mas, só um período probatório, bem sucedido, de um mês a residir no colégio poderia conduzir à admissão do candidato. É que o tipo de vida quase monacal, com um regimento muito apertado para os estudantes, constituído por uma sucessão de inúmeras actividades e regras diárias, com castigos previstos em caso de incumprimento, não seria adequado para todos. Óbvio, será que o meu antepassado superou todas essas dificuldades. Fascinante seria conseguir acesso ao seu processo do colégio para obter mais dados sobre o seu percurso académico

Para além do requisitos de admissão mencionados no parágrafo anterior, há que ter em conta a questão da não gratuidade da frequência do centro, o que salienta mais uma vez o carácter elitista do colégio. Apesar de todos os alunos terem direito a uma meia bolsa, se não reprovassem ou cometessem uma infracção grave, também se sabe que " el colegial debe costear el Bonete, Beca, Mantón, Sobrepelliz, Curso y todo lo referente a su aseo personal.", ou seja alguém teria que prever estes gastos do meu antepassado. Para além da quota anual, que seria paga em duas prestações, uma em Março e outra em Setembro, haveria que adicionar um valor de 15 reais para os "Mozos de la limpieza",  a que se juntariam mais 50 reais para os gastos das saídas de campo e para as diversas festas da comunidade. 

Note-se que não sei a que época dizem respeito este valores mencionados, a título de  exemplo, presumo que não seja uma quantia dispicienda. Também não sei exactamente quando ingressou Diogo neste colégio, nem quanto custaria a sua manutenção por lá. Socorrendo-me de aritmética simples e atendendo a que nasceu em 1790, o curso teve a duração de 6 anos, e requereu a sua habilitação em 1812, presumo que logo após terminar os estudos e no regresso a casa, apontaria para 1805 ( aos 15 anos)  como a data de ingresso na Abadia. Seria essa a idade média de admissão?

Concluindo, para saber mais sobre o percurso académico deste meu antepassado e detalhes da sua biografia, que me permitam também conhecer melhor as sua origens teria que ir directamente à fonte. Da experiência que tenho de não resposta por parte das paróquias e arquivos espanholes, pouca esperança tenho de conseguir avançar neste aspecto. Resta-me, talvez, a consolação de poder regressar a Granada e pisar o  chão que o Diogo calcorreou.




quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Inquirição de Génere de Diogo Domingues Pablo


Há uns anos atrás, disse aqui que pensava que o ramo espanhol da família da minha avó paterna, com origem em Espanha (El Almendro), se teria fixado em Vale de Santiago em consequência das Invasões Francesas.
Nessa altura fazia também referência a um Presbítero Secular, de nome Diogo Domingues Pablo, que havia localizado no Vale, através de um registo de baptismo de um neto dos dois casais de espanhóis de que descendo, e que supunha estar de alguma forma  relacionado com o motivo pelo qual esses meus familiares se haviam fixado tão longe da zona fronteiriça. Presumia que quem vivia perto da fronteira e fugisse das Invasões se iria fixar, temporiamente do outro lado, perto da raia, na esperança de as coisas se acalmarem para depois regressar.

O documento que refiro em epígrafe, a que finalmente tive acesso, vem alvitrar outra explicação para a fixação desta gente em Vale de Santiago, indiciando que essa fixação é anterior às referidas invasões,que segundo algumas fontes, ocorreram por volta 1810 para a zona do El Almendro.
Veio também esclarecer a relação de parentesco entre os meus antepassados e o Presbítero Secular em causa, comprovando que foi ele quem se fixou no Vale, depois de terminados os seus estudos, porque lá viviam os seus pais, e se não todos, pelo menos alguns do seus irmãos. 

Como é que sei isto? Analisando a documentação que constitui o processo de inquirição de génere.
                                                                                                                                                                Este processo de habilitação começa com a declaração de recepção de uma petição do interessado, na cidade de Beja, na Casa da Câmara Eclesiástica, com despacho do Arcebispo que admite o mesmo de "Prima Tonsura de Ordens Menores", mandando que se proceda às diligências inerentes à referida petição.

De seguida há um documento introdutório com a filiação do requerente e respectiva biografia básica. Logo aqui, ao conhecer a identificação do requerente se estabelece sem margem para dúvidas que o requerente é filho do casal que está na origem do meu ramo Domingues Pablo.
É também desta forma que fico a saber que este meu antepassado estudou numa das primeiras universidades privadas da Europa, em que se estudava direito, teologia e filosofia. É dito no documento que o requerente fez um curso de três anos de Filosofia e outros três de Teologia Dogmática no Colégio de Santo Monte de Granada. Mais se refere que ele se julga com estudos e vocação para ser admitido às ordens, visto estar escuso de recrutamento.
Segue-se o comprovativo de escusa da autoria do Sargento de Ordenanças da Vila de Santiago do Cacém. Assim  fico a saber que os pais se naturalizaram portugueses e que a razão da dispensa prende-se com o facto de ter sido criado em um colégio, onde se aplicou nos estudos. ( A questão que se impõe aqui é saber quem patrocinava estes estudos? Os pais? Algum parente/protetor abastado?)                                                                                                     
Nada é deixado ao acaso, e é apensado um outro documento que comprova que o seu pai se naturalizou português a 3 de Julho de 1801, era D. João VI Príncipe Regente.  Em Colos, a 8 de Maio de 1812 é entregue, ao progenitor, esse comprovativo que, presumo que para juntar ao processo, e que o pai dele assina como tendo recebido. (Quais as regras à época para obter a nacionalidade portuguesa?)

Uma preciosidade, ter finalmente algo escrito e em boa caligrafia por um antepassado.


O padre da paróquia, João da Silva, atesta que os pais do Diogo estão naturalizados e são moradores há mais de 20 anos no Vale. A data deste documento é de 13 de Maio de 1812. Assim e fazendo as contas, vivem, pelos menos desde 1792, no Vale de Santiago o que exclui a hipótese de fuga de El Almendro devido às Invasões Francesas.

No entanto, pelo último registo de baptismo de um irmão do Diogo, Juan, que ocorreu em 1794 ainda em El Almendro, se pode ver que há algum exagero nas declarações do padre. De qualquer forma foi antes das Invasões porque depois desta data não há mais irmãos nascidos no El Almendro, e a irmã mais nova de que descendo, aparece em vários assentos como tendo nascido já no Vale, logo estarão por lá há uns 18 anos.

Porque que se estabeleceram então em Portugal?

Num documento do Bispado, datada de Julho de 1812, dirigida ao pároco em que se diz que"se acha sentido a Prima Tonsura e Ordens Menores" e que se solicita ao padre que investigue o habilitando quanto à geração e vida, começa a desenhar-se a resposta a esta questão.

A 18 de Agosto de 1812, o pároco do Vale, elenca o rol de testemunhas de vida e o rol de testemunhas de génere a serem inquiridas que garantirão que são de boa geração e que não cometeram crimes de lesa majestade. O interesse das declarações das testemunhas é relativo, as respostas são repetitivas e pouco extensas, mas revelam no entanto o grupo sócio-económico em que estão inseridas: todos eles homens, todos eles com mais de 50 anos, casados  e que declaram viver de seu negócio assim como o pai do habilitando e que sabem pelo menos assinar, espalhados geograficamente por Vale de Santiago, Panóias e até mesmo. na cidade de Beja. De que negócio se trataria não faço a mínima ideia, poderiam ser por exemplo feirantes.

No caso concreto deste processo de habilitação, não veio desvendar nomes de antepassados que me permitissem prosseguir as pesquisas em Espanha. Já tinha, inclusivamente conseguido a informação genealógica que consta nos documentos, através de um investigador espanhol, que se revelou ser meu primo. Veio sim, confirmar essa informação que me havia sido facultada através dos índices compilados por esse meu parente. Veio esclarecer e dar mais informações sobre as motivações da fixação fora do território espanhol, assim como produzir um retrato mais próximo do que seria a situação sócio-económica destes meus antepassados.
Apesar de lançar a grande questão/confusão sobre quem seria o mecenas que proporcionou ao Diogo os estudos superiores, numa universidade tão cara e distante, tanto de El Almendro como do Vale de Santiago, sei que posso avançar com mais segurança nas pesquisas deste meu lado espanhol. Resolvi, então, pedir as duas dispensas matrimoniais de que tenho conhecimento, e que preciso, para o Bispado de Sevilha. Infelizmente continua a ser quase impossível pesquisar em Espanha. Vamos ver como corre.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Novo livro sobre genealogia no mercado

Livro de publicação recente, saiu este mês e veio, a meu ver, preencher uma lacuna. 
Está muito bem escrito, numa linguagem simples, é exaustivo e pareceu-me rigoroso. É um bom exemplo de um manual prático de genealogia. 
No meu caso, que pesquiso diariamente há muito tempo, não traz grandes novidades mas para quem está nisto há menos tempo será de grande utilidade.Veio, seguramente, em boa hora ajudar todos aqueles, e são cada vez mais, que começam a interessar-se pela genealogia. 


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Reviver o passado no Monte da Laborela e no Monte da Estebainha

Passo a vida a pesquisar o passado distante e esqueço-me daquele passado próximo, de que ainda ouvi relatos.
O meu pai nasceu no Monte da Laborela há 80 anos e no sábado passado foi a primeira fez que lá fui. De tanto ouvir falar nesse monte na minha família paterna, era para mim quase um mito rural.
No entanto está lá, existe, sobreviveu ao meu pai e sobreviverá seguramente aos meus filhos.



É um monte alentejano como muitos outros (que me perdoem os apaixonados), com o seu empedrado característico, de que tanto gosto. Fica aqui a imagem.


Gostei de ouvir as histórias, na primeira pessoa, de quem lá viveu, mas para mim o Monte da Estebainha, bem mais ermo e isolado, será sempre o meu monte. Vi vezes sem consta a imagem abaixo, que fotografei agora, em todas as quatro estações dos fins-de-semana que lá passei. 



Era isto que se via da estrada de terra, quando o carro do meu pai se aproximava da casa e os cães já ladravam,  à nossa volta, acompanhando aquele último pedacinho da viagem.

É uma construção centenária que está a ruir, mas à distância desta foto não se nota ainda. Parece que o tempo parou, tenho a sensação que vou chegar lá, a correr vinda não sei de aonde, toda despenteada, empoeirada, perseguida e a perseguir os cães, as galinhas, os perus, os porcos, sei lá...Cheia de sede e de fome, no final de mais um dia de Verão perfeito.



O mesmo chão, as mesmas árvores, o mesmo sol, a mesma janela...e aquela sensação de que poderia ficar lá para sempre...
Who needs more?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Primeiro encontro da Família Rianço

Realizou-se no passado sábado, dia 17, o primeiro almoço familiar que juntou conhecidos e desconhecidos, todos descendentes de um homem que se fixou na zona de Messejana, ficando conhecido pelo Reanso.
Este era um projecto que já vinha a ser pensado desde 2010, como se poderá ver aqui e que finalmente, e em boa hora, foi concretizado.
Descendentes identificados serão bem mais de 300, compareceram ao almoço 20, com idades compreendidas entre os 9 e os 80 anos. 
O almoço decorreu em Aljustrel, com passagem por Messejana, finalizando com uma arruada na Aldeia dos Elvas, onde porta sim, porta não existe alguém Rianço.
Foi um dia bem passado, tendo ficado a promessa de que para o ano há mais!

VIVAM OS RIANÇOS




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O estranho caso da certidão de nascimento do (e)terno presidente angolano

De vez em quando, especialmente por altura de eleições, surge a questão do local de nascimento do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. A versão oficial é de que terá nascido em Luanda, a versão não autorizada diz que nasceu na ilha de São Tomé. Ambas as versões concordam que será filho de Eduardo Avelino dos Santos e de Jacinta José Paulino. Ambas as versões passam por São Tomé. Na oficial os pais terão vivido lá, o filho José terá nascido em Angola, insinuando ainda a ideia que os pais seriam trabalhadores ocasionais em São Tomé, de origem angolana. Na versão não confirmada que corre há anos, o pai seria natural de São Tomé, descendente de escravos que se teriam cruzado com um cidadão holandês que passou àquele arquipélago, em data desconhecida. Da mãe, diz-se que descende de cabo-verdianos e guineenses. Seja como for, a ligação a São Tomé parece ser uma constante na vida de JES: a sua actual mulher, Ana Paula, é de origem são-tomense.

Quem é na verdade José Eduardo dos Santos? Onde nasceu? Qual origem dos seus pais? Que sangue lhe corre nas veias?

Uma pesquisa rápida pela net nada esclarece.

Até mesmo um sítio de referência para estes assuntos, o Geneall, tem apenas uma brevíssima ficha que o dá como nascido em Luanda, sendo que para outras figuras públicas apresenta muito mais informação. 

Para o presidente angolano existe apenas esta reduzida nota,  que se reproduz, provavelmente incorrecta, enquanto que para muitos outros políticos estrangeiros existem extensas notas biográficas e genealógicas. Também no alargado fórum deste sítio nada consta sobre a genealogia deste senhor e existem poucas entradas para assuntos angolanos. E ainda dizem ,alguns angolanos, que existe um interesse mórbido dos portugueses por Angola. O português em geral quer lá saber...


A única "prova" documental disponível on-line, que defende a versão não oficial, é uma cédula pessoal, abaixo reproduzida, que se me afigura claramente forjada. Aparenta ser a primeira página desse documento no entanto, por exemplo, a caligrafia não me parece corresponder ao estilo usual para a época. Mais importante ainda, a cédula pessoal era um documento que se entregava aos pais do nascituro aquando do seu registo, não era nem é um documento passível de solicitação de cópia, ficando com o próprio, acabando em muitos casos por se extraviar. A ser autêntico, conseguiram este documento como? Credível poderia ser uma cópia de certidão de nascimento, que pode ser solicitada por qualquer um, enquanto documento público que é. 



Mas será assim tão complicado chegar ao fundo desta questão? Onde param os dados do registo civil de São Tomé para a década de 40, do século passado? Pergunta sem resposta. 

Os favoráveis à teoria da conspiração defendem que a certidão original foi destruída, propositadamente, a mando do próprio. Parece-me rebuscado, tendo em conta que Portugal pouco fez para acautelar os dados do registo civil ultramarino. O mais certo é não existirem esses registos, por incúria de quem tinha à época da descolonização, a responsabilidade de os preservar.

Há quem possa pensar que esta é uma questão redundante, afinal a pessoa em causa nasceu no chamado tempo do colono, como tal nasceu português.

Na verdade, a ser assim não será tão redundante se, por exemplo, pensarmos que o actual presidente de Angola não teria direito, em princípio, à nacionalidade angolana de acordo com a recentemente alterada lei da nacionalidade angolana. Isto sem querer entrar nas questões de jus sanguinis tão caras a quem gosta de apelar ao tribalismo.

Mas há mais que não entendo: porque ainda não houve uma investigação jornalística sobre isto? Tanta peça de investigação sobre tudo e mais alguma coisa sobre Angola e sobre isto nada.
Porque é um assunto que deverá interessar a genealogistas profissionais ou amadores, não?

Na falta de dados concretos, só resta dizer que onde há fumo, há fogo até mesmo, e especialmente quando se trata de genealogia e/ou história da família. Seguramente, em São Tomé, os mais velhos terão alguma coisa para contar, mesmo na ausência total de provas documentais. 

Alguém terá que lá ir. Alguém com a vacina da febre amarela em dia. Alguém como eu!


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015



"E que diferença faz ser filho de a ou b? Ele considerava-se apenas o resultado da combinação de defeitos e virtudes e outras características transmitidas por muitas gerações através de cópulas provocadas pelo instinto de preservação da espécie."
 
Quantos policiais fazem referência a intricadas árvores genealógicas? Imensos! Este não é excepção e ainda bem!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Do meu gosto pelas intempéries explicado


Jan Ross, museu em Berlim

Uma intempérie é uma inclemência do tempo. É um qualquer tempo extremo no que respeita às condições climáticas: vento forte, temporal, seca, calor tórrido, nevão, etc.
 
Sempre gostei de tempos extremos. Na Cidade Satélite, no pico do Verão, pelas duas tarde quando o silêncio era tal que nem os pássaros se ouviam e até o alcatrão derretia, eu ia para a ciclovia e fazia quilómetros de bicicleta. Horas a pedalar de baixo de um sol inclemente.
 
Hoje, na Cidade Capital, continuo a sair à rua com mais vontade quando a chuva é intensa e o vento arrasta tudo. A chegada do Inverno dá-me um outro ânimo.
 
Nunca percebi bem porquê até ler o que se segue,  num interessante livro de Teju Cole chamado a Cidade Aberta.
 
"A intensidade da chuva toldava-me a visão, um fenómeno que só tinha sentido durante as tempestades de neve, quando o vento forte apaga os sinais mais óbvios do tempo de tal forma que quase não se percebe em que século se está."
 
A fuga à realidade e a este século XXI torna-se mais fácil debaixo de uma intempérie...
 
 
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Para quando um programa deste género em Portugal?

Para quando querida RTP? Para quando seguir as pisadas da BBC?

Heranças

"Na meia-idade já se não têm esses pensamentos acerca do livre-arbítrio. Então, apercebemo-nos de que de um avô herdámos uma tal cabeça com um cabelo que parecia mel quando este embranquece ou se converte em açúcar dentro de um pote; de outro, uns ombros largos e musculosos; um defeito de fala de um tio, dentes pequenos de um outro, e os olhos cinzentos cujo tom escuro se difunde pela esclerótica e uma boca com lábios grandes como a de uma estátua do Peru. Da mãe, herdara os sentimentos exarcebados, um bom coração, a tendência para a meditação e para ficar atarantado quando submetido a pressões", Saul Bellow em Agarra o Dia.

sábado, 27 de agosto de 2011

Os Cantos de Maria Filomena Mónica

Os Cantos "A tragédia de uma família açoriana" é um excelente livro de investigação de História da Família e que, apesar de ser um ensaio académico, consegue ser bem mais interessante do que muitos romances históricos que possamos ler. Concordo sem pestanejar com a autora quando diz julgar "que o real é frequentemente mais interessante do que a ficção (...)".
Assim que peguei no livro e li o primeiro parágrafo percebi que teria que o ler até ao fim: "Foi na Primavera de 1988, durante uma estadia em Ponta Delgada, que conheci José do Canto. É verdade que ele já morrera. mas desde quando é que tal afectou o meu interesse por alguém?"
Quantas vezes já eu própria senti um interesse obsessivo por alguém que já morreu? São antepassados que me perseguem por algum motivo, são noites em que adormeço a pensar nas suas motivações e dias em que acordo a pensar nisso mesmo.
É bom sentir que pelo menos algumas das minhas obsessões são partilhadas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O avô da prima Célia

É certo e sabido que quem conta um conto acrescenta um ponto mas também é uma realidade que as histórias antigas que circulam nas famílias têm sempre um fundo de verdade. Se é mais fácil comprovar esses relatos em famílias com pergaminhos porque existe mais documentação ( pesquisas genealógicas já realizadas, testamentos, correspondência vária, relatos da história, etc.) não quer dizer que seja impossível fazê-lo para famílias de gente simples como foram os pais do avô da Célia que eram à altura do nascimento desde, em 1916, rendeiros no sítio do Calço na freguesia de Abela, concelho de Santiago de Cacém.

O avô da Célia foi registado no dia 28 de Outubro de 1916 e foi-lhe "pôsto o nome completo de", reparem na ironia, Manuel Francisco.
O avô Manuel Francisco contava que o seu pai se tinha apaixonado por uma mulher já com seis filhos mas que era tão bonita que ele acabara por se casar com ela. Não encontrei provas da mãe do avô Manuel Francisco ser mais bonita do que seria normal mas, alguma coisa teria, era 15 anos mais velha do que o marido. Nota mental: dar mais atenção ao colega mais novo do que eu 10 anos que já me convidou n vezes para almoçar!;-)

E é aqui que entra a convicção de que a Célia, que conheci via Facebook, é mesmo minha prima: o bisavô dela chamava-se Francisco Joaquim Rianço e era natural de Messejana e quase que poderia apostar da Aldeia dos Elvas. Todos os Rianços que conheço e vou descobrindo descendem de José Joaquim nascido em 1813 em Panóias e de Maria Isabel nascida em 1817 em Castro Verde que se fixaram na Aldeia dos Elvas. Este meu enigmático antepassado José Joaquim a dada altura aparece nos paroquias com o Reanso acrecentado, sabe Deus porquê pois não tem nenhum ancestral com esse nome, alcunha? que passa às gerações seguintes em forma de apelido até aos dias de hoje.

Teremos então, a Célia e eu, como trisavô comum Francisco Joaquim Rianço que terá casado em segundas núpcias com Joaquina Maria com quem teve Francisco Joaquim Rianço nascido cerca de 1887, pai do avô Manuel Francisco. (Certezas só quando receber a certidão que pedi para o Arquivo Distrital de Setúbal, que espero que seja conclusiva...porque se tenho que recorrer ao Arquivo Distrital de Beja terei mesmo que lá ir porque não enviam nada não certificado.)
Eu descendo do filho do primeiro casamento com Mariana Guerreira, Joaquim António Rianço pai da minha avó Catarina, os dois retratados aqui e é deste ramo que descendem quase todos os Rianços que conheço.
O Nelson, que também é primo, descende de António Francisco Rianço, irmão do Joaquim António Rianço ambos filhos de Francisco Joaquim Rianço.

É confuso, eu sei...mas é super interessante perceber onde encaixam no puzzle todas a pecinhas Rianço que consigo encontrar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Of Obama´s ancestry and Du Bois´s "The Souls of Black Folks"



In Chicago I wanted to see Grant´s Park.
I wanted to be at the place Obama´s victory speech took place.
So I went there.

In Cincinnati I wanted to be closer to the abolitionist´s history. Cincinnati has an awesome history when it comes to the abolitionists, being by de river Ohio and just having on the other side at a walking distance Newport and pro-slavery Kentucky.
So I went to the Freedom Center and to the American I Am exhibit at de Cincinnati Museum.

In the American I Am: The African American Imprint the corner stone of the exhibit was Du Bois´s question " Would America have been America without her Negro people?".

There I came across with some African American writers I have never heard of: Douglass, Dunbar and of course Du Bois. Moments of courage were told. Moments of creativity. Never ending conviction.
Barack Obama was presented here as the cherry on the top of the cake.

My next stop was a near by Barnes and Nobles and I left the bookshop with half a dozen books feeling that I should get half a dozen more.

Reading the first essay of The souls of black folks by W. E. B. Du Bois all of a sudden came to my mind Barack Obama´s election and it´s critics that said that Obama wasn´t black enough and also that he wasn´t an African American. That statement puzzled me at the time. Obama was to me without a shadow of a doubt black but, he was not for a vast number of man and women in the USA by 2008.
In a color-line based society such is the American society that was beyond reason to me at the time.
It was only now after reading Of our spiritual strivings of Du Bois that I finally got it. It´s now clearer to me why Obama is not black for the African American standards.

Obama is not the produce of slavery in America.
He hasn´t got "that dual soul - American and Negro - carved in unreconceiled strivings" as Du Bois put it more than a 100 years ago.
He´s ancestors and himself didn´t endure the history of American Negro, the history of strife it self.
He´s hasn´t got "The red stain of bastardy, which two centuries of systematic legal defilement of Negro women had stamped upon his race, (...)", and I quote Du Bois once more.

Obama is something else.
Obama is not the first African American elected president of the United States of America.

Barack Obama is the son of a white American woman with a foreigner as a father... that happens to be a black man from an African country.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Os expostos na actual Lei da Nacionalidade

A Lei 37/81 de 3 de Outubro alterada e republicada pela Lei Orgânica nº2/2006 de 17 de Abril no nº2 do seu artigo 1º atribui a Nacionalidade Originária às crianças expostas em Portugal uma vez que "Presumem-se nascidos no território português, salvo prova em contrário, os recém-nascidos que aqui tenham sido exposto."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pesquisar em Cabo Verde - Última Parte

Numa tentativa de saber onde se encontram os registos paroquiais de Cabo Verde, anteriores ao século dezanove, fiz algumas pesquisas iniciais. Procurei então informação sobre o Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde e conclui que é impossível aceder a informações básicas sobre os fundos que o constituem via www ou via telefone. O ANHCV tem um domínio registado ( http://www.ahn.cv/) mas não está activo e toda a informação que se consegue é fragmentada e encontra-se dispersa por alguns, poucos, documentos na net. Também ninguém atendeu das várias vezes que liguei para os números que encontrei como sendo dessa instituição.
Saber alguma coisa de fonte fidedigna sobre este arquivo nacional implicará um contacto privilegiado, aka ter o telefone particular do seu director ou mais heróico ainda, para quem tem como eu uma pele sensível, uma viagem até esse país.

De qualquer forma parto do princípio que a documentação que procuro não está nem neste Arquivo Nacional nem nas Conservatórias. Se alguém soubesse onde está o que eu procuro já os Mormons, essas formiguinhas da microfilmagem genealógica, teriam procedido às microfilmagens à semelhança do que aconteceu com todo o século XIX.

A dada altura, foi-me até sugerido que a potência colonizadora, vulgo Portugal, teria ficado com esse pedaço de história tendo feito o seu transporte para a metrópole! A ser assim estes livros paroquiais estariam ou na Torre do Tombo ou no Arquivo Histórico do Ultramar.

Ideia peregrina esta! Mas não, não estão! Nem poderiam estar. Portugal não pensou em lá grande coisa quando entregou as Províncias Ultramarinas...

Então onde estão? Cabo Verde não viveu uma situação de guerra como a Guiné Bissau ou Angola. Não houve destruição maciça. Onde param os paroquiais?

Certamente que terão sido transferidos para as Conservatórias do Registo Civil instituídas no inicio de 1911 por força da Lei de Separação da Igreja do Estado que determinou que todos os registos paroquiais (baptismos, casamentos e óbitos) anteriores a 1911 fossem transferidos das respectivas paróquias para as conservatórias. Ou estarão em algum Arquivo Eclesiástico?

Acho difícil que não se tenha cumprido esta lei até porque em documentação consultada da Diocese de Santiago de Cabo Verde é feita referência ao "vendaval anti-religioso implantado em 1910".
Assustador é pensar que toda esta documentação foi destruída. Estamos a falar de uma diocese que foi criada em 1532! São quase 500 anos de documentos...

Com isto na ideia e porque acredito que é urgente Cabo Verde divulgar esta valência cultural que está muita para além da cachupa, da morna ou do turismo resolvi abordar o meu contacto privilegiado: o próprio primeiro ministro de Cabo Verde José Maria Pereira Neves.

Este governante, ao contrário do Arquivo Histórico Nacional do pais que dirige, não é infoexcluido, tem um blogue pessoal e uma conta de facebook sendo que eu sou uma das suas amigas facebookianas.

É evidente que com isto não esperava uma resposta, pretendia apenas evidenciar mais uma carência do país e que se situa também ao nível da falta de divulgação cultural da documentação história e também da actividade desenvolvida, se é que existe alguma, por parte desta instituição.

(Segundo parece receberam fundos para tratamento de um imenso espólio fotográfico sobre Cabo Verde que se encontra naturalmente indisponível. Qual o melhor meio para divulgar imagens do que a web?)

Em vez da resposta que procurava recebi pedidos de amizade de alguns caboverdianos e caboverdianas. Assim entrei no circuito dos expatriados e diasporizados mais intelectulizados do que a generalidade daqueles que procuram os meus serviços profissionais.

E é aqui que começa a minha perplexidade... e é reforçada também a minha convicção de que todos os caboverdianos deveriam ter acesso à sua genealogia. Deveriam conhecer a sua ascendência para que se pudessem reconciliar com as pedras de xadrez, do jogo, que os originou.